O tiro saiu pela culatra. A ampla repercussão do veto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às manifestações políticas no festival Lollapalooza Brasil, que fez diversos artistas ampliarem ainda mais o protesto contra Bolsonaro no último dia do evento, teria irritado o presidente fazendo o partido recuar do pedido de censura.

Nesta segunda-feira, o PL, partido de Bolsonaro, decidiu retirar o processo apresentado ao TSE que resultou na decisão do ministro Raul Araújo de vetar as manifestações sob pena de multa de R$ 50 mil. Conforme publicado em coluna de Monica Bergamo na Folha de S. Paulo, a ordem foi do próprio presidente Bolsonaro. O ministro validou o pedido de desistência e, com isso, a decisão foi revogada.

“De acordo com um ministro próximo de Bolsonaro, a ação do PL foi considerada um desastre, já que o presidente não poderia mais sustentar o discurso que faz de liberdade total de expressão caso apoiasse a proibição de críticas de artistas ao governo”, escreveu Mônica Bergamo em coluna.

Durante todo o domingo de festival, diversos artistas protestaram contra a censura, contra Bolsonaro, provocando uma plateia de mais de 100 mil pessoas.

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O caso foi levado ao Tribunal depois das manifestações de Marina e Pabllo Vittar no sábado (26). A campanha de Bolsonaro acusou as artistas de fazerem propaganda política antecipada. Nas apresentações, as cantoras fizeram protestos contra Bolsonaro e a drag, em outro momento, levantou uma toalha com a estampa do ex-presidente Lula.

Além do protestos dos artistas contra a censura durante todo o domingo, as redes também repercutiram o caso em repúdio ao TSE e a Bolsonaro e seu partido. Diversos juristas e especialistas declararam diretamente ou em por meio de reportagens que a decisão do Tribunal era ilegal.

A organização do Lollapalooza recorreu da decisão do ministro Raul Araújo. O festival pediu que a decisão fosse revista e que não fosse aplicada qualquer penalidade.

“Não se pode querer transformar os eventos culturais em movimentos absolutamente neutros, sem participação política, sem que os legítimos interesses políticos sejam expressos, ou seja, não se pode querer que os diversos eventos sociais não possam ter uma participação ativa nas questões eleitorais”, disse a organização, conforme publicado no G1.