Mesmo após um acordo para liberar a saída de estrangeiros da Faixa de Gaza para o Egito, Israel voltou a bombardear a região de Rafah, agravando a crise palestina e atrasando mais uma vez a saída de estrangeiros, entre eles 34 brasileiros, além da chegada de ajuda humanitária pelo portão localizado na região sul de Gaza. O portão de Rafah foi reaberto nesta segunda-feira (6).

As saídas haviam sido suspensas na sexta após um ataque israelense contra ambulâncias em Gaza, que eram utilizadas para transportar feridos, conforme relatou a Al Jazeera.

Segundo o embaixador do Brasil na Palestina, Alessandro Candeas, estão passando na fronteira os estrangeiros e os feridos autorizados a sair de Gaza nas listas anteriores. Isso porque, pelo segundo dia consecutivo, não foram divulgadas novas listas de estrangeiros autorizados a deixar a Faixa de Gaza.

“Aguardamos agora que os brasileiros entrem na lista de autorizados”, disse o embaixador. A última lista divulgada no sábado (4) tinha o nome de 599 estrangeiros, entre esses, 386 com passaporte dos Estados Unidos, 112 do Reino Unido, 51 da França e 50 da Alemanha.

O Brasil deixou o Conselho de Segurança no dia 1º de novembro, e mantém uma postura cautelosa em suas declarações públicas, priorizando a abertura de um canal de diálogo para assegurar a saída segura dos brasileiros retidos na Faixa de Gaza, avaliam especialistas. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, manteve conversas com o ministro do Exterior de Israel, Eli Cohen, na última sexta-feira (3), no intuito de garantir a segurança dos cidadãos brasileiros na região.

O ministro israelense assegurou que até esta quarta-feira (8), os brasileiros em Gaza terão permissão para atravessar a fronteira com o Egito, mas essa previsão pode mudar a qualquer momento, já que os bombardeios continuam.

Região de Gaza. Ao sul, a cidade de Rafah, bombardeada por Israel na fronteira com o Egito. Foto: reprodução

Os brasileiros em Gaza encontram-se divididos entre as cidades de Rafah e Khan Yunis. Um dos brasileiros, Hasan Rabee, de 30 anos, relatou em entrevista ao jornalista Lucas Pordeus León, da Agência Brasil, as dificuldades que enfrentam diariamente, incluindo a escassez de alimentos e água potável.

“Cada dia é pior que o outro. Água não tem mineral, estamos tomando água encanada. Hoje, 31 dias sem energia. O mais difícil agora é encontrar alimentação. Além da guerra e dos bombardeios, outro sofrimento é a comida. Muita gente passa fome”, afirmou Rabee.

Até agora, a maioria dos estrangeiros autorizados a sair de Gaza são dos Estados Unidos e do Reino Unido, destacando a importância de esforços contínuos para garantir a segurança de todos os estrangeiros retidos na região.

Os bombardeios de Israel já deixaram mais de 9 mil palestinos mortos, e mais de 3 mil estão desaparecidos sob os escombros. Os dados foram compilados pela  Al Jazeera. 40% das vítimas tem entre 0 e 14 anos, aponta a organização Médicos Sem Fronteiras.

*Com informações da Agência Brasil e Al Jazeera

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