Em uma entrevista exclusiva à NINJA, o jornalista internacional Jamil Chade, trouxe à tona preocupações cruciais sobre a atual crise humanitária na Faixa de Gaza, destacando desafios significativos da diplomacia internacional nos pedidos para que Israel pare os bombardeios e autorize ajuda humanitária chegar até Gaza.

Em meio ao conflito em andamento entre Israel e Gaza, Chade deixou claro que não há espaço para dúvidas em relação às violações das leis internacionais humanitárias e dos direitos humanos por parte de Israel. Ele enfatizou que essa é uma questão inegociável e que as ações de Israel estão em flagrante desacordo com o direito internacional.

Na última semana, mais de 150 países, incluindo o Brasil, condenaram as ações de Israel contra a Faixa de Gaza, e, em um documento oficial, pediram o imediato cessar fogo e a abertura de corredor humanitário. Israel ignorou este pedido, o que foi duramente criticado pela comunidade internacional.

O jornalista, que mantém uma coluna no UOL, também ressaltou a importância de manter relações diplomáticas com todas as partes envolvidas no conflito. Ele argumentou que, para desempenhar um papel significativo na cena internacional, o Brasil deve manter diálogo com todos os atores, independentemente de concordância ou simpatia.

“Mediação não significa concordar. Se o Brasil quer ser um ator que pode dialogar com todos, ele precisa manter relação com todos”, afirma Jamil Chade.

O jornalista apontou as limitações dos Estados Unidos e da Rússia como mediadores no conflito entre Israel e Palestina. Segundo Chade, outros países, como o Brasil, têm um papel a desempenhar na mediação, mesmo que isso envolva críticas a ações específicas. Ele destacou que a paz é uma necessidade urgente, e a comunidade internacional não pode depender apenas das superpotências tradicionais para facilitar o diálogo.

“No fundo, o Brasil fez a mesma coisa na Ucrânia. O Brasil manteve relações com a Rússia, mas nunca deixou de votar na ONU uma resolução que condenava a invasão. O Brasil votou a favor da resolução que condena a invasão da Ucrânia e, ao mesmo tempo, mantém relações diplomáticas com ambos. Essa é uma tentativa de equilíbrio que não é fácil”, disse Chade para NINJA.

Além disso, Chade observou a grave deterioração da situação humanitária em Gaza devido ao conflito. Ele expressou preocupações sobre o trauma psicológico enfrentado pelas crianças palestinas, que crescem em um ambiente de medo e perda constante.

Na última semana, o sociólogo e ativista palestino Baha Hilo concedeu uma entrevista para NINJA, e ofereceu uma visão intensa sobre a atual crise em Gaza, onde as pessoas estão enfrentando ataques implacáveis de Israel e a comunidade internacional está se mobilizando em apoio à Palestina, sob pressão de protestos. Até o momento, mais de 10 mil palestinos foram mortos. Baha pede que o Brasil corte relações diplomáticas com Israel.

Foto: Motaz Azaiza

A discussão também incluiu o contexto geopolítico, destacando que a atual situação é complexa e desafiadora. Israel ignora tradicionalmente as resoluções da ONU, sabendo que conta com o apoio dos Estados Unidos, um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Chade alertou para o impasse no Conselho de Segurança, que muitas vezes fica imobilizado devido a vetos.

“Existe uma pressão muito grande hoje, inclusive na Europa. Isso não é uma questão só dos países em desenvolvimento. Não é só uma questão dos aliados da causa palestina. Você tem vários governos, inclusive os europeus, muito preocupados com o nível de violência de Israel em Gaza. Esse nível de violência obviamente cria uma situação de muito risco internacional”, afirma Chade.

O jornalista levantou questões sobre a viabilidade de uma solução de dois estados, citando desafios práticos, como o deslocamento de colonos israelenses. Ele também mencionou a importância do Tribunal Penal Internacional em investigar potenciais crimes de guerra.

“Eles [Governo Israelense] vão ser, pelo menos pré-investigados. Agora a gente vive aquela outra situação anterior, mesmo condenados, qual vai ser o impacto real disso, sendo que a gente tem um governo americano ainda em apoio ao governo israelense? Então é um grande teste, no fundo, para a própria credibilidade do Tribunal Penal Internacional”, conclui Chade.

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