O ex-juiz da Lava-Jato Sérgio Moro levou uma invertida de professor de Harvard, no último sábado (9), que moderava uma palestra na Brazil Conference, realizada anualmente pela comunidade brasileira de estudantes em Boston, nos Estados Unidos.

Moro fez uma equiparação do presidente Jair Bolsonaro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando ambos como extremistas. Ao encerrar a participação do ex-juiz, o moderador e professor em Harvard Hussein Kalout, fez uma fala para contrapor a declaração de Moro afirmando que ele havia feito “uma grave distorção histórica” e que não haveria simetria possível entre Bolsonaro e Lula.

“Como cientista político, colocar Bolsonaro e Lula na mesma equivalência me parece uma grande distorção histórica. Não há simetria possível e equivalente entre os dois lados no exercício da função pública e no respeito às instituições de Estado”, disse.

Ele lembrou episódios recentes em que o PT foi golpeado por opositores. Citou o impeachment de Dilma Rousseff, declarando que ela respeitou a decisão jurídica e política em sua saída pacífica do Planalto. E citou também a prisão de Lula a partir de determinação do próprio Sérgio Moro, que foi cumprida pelo ex-presidente.

“Não é apropriado trazer uma avaliação colocando um governo ou uma instituição partidária que exerceu o poder durante 13 anos, vencendo quatro eleições presidenciais, como extremada no exercício da política nacional”, apontou.

Durante todo o evento, Moro se colocava como presidenciável ainda que seu mais recente partido, União Brasil, tenha rechaçado essa possibilidade.

Em outra ocasião, o professor Hussein Kalout já havia declarado que a imagem do Brasil no exterior será irrecuperável com o governo Bolsonaro.

“Tanto os europeus, como os asiáticos, americanos, todos acreditam que o potencial de convergência seria muito maior com um novo governo brasileiro de perfil mais democrático, mais preocupado com o tema das mudanças climáticas”, disse ao jornal O Globo, em fevereiro deste ano. “A reeleição de Bolsonaro é vista como uma continuidade do imobilismo do Brasil. O que se vê de fora é um governo enfraquecido e impopular”.