Por Mauro Utida

Mais um lamentável caso de racismo no futebol foi registrado na partida entre Athletico-PR e São Paulo, domingo (31), na Arena da Baixada, em Curitiba, em rodada do Campeonato Brasileiro. Este é o 60º caso de racismo envolvendo clubes brasileiros neste ano, sendo 12 deles cometidos na Taça Libertadores da América.

Conforme pesquisa do Observatório Racial no Futebol, os números de denúncias de racismo no futebol brasileiro deste ano está muito próximo de atingir o recorde de acusações registrado em 2019, que contabilizou 70 atos racistas registrado pela entidade que monitora e combate o racismo e outras formas de preconceito no esporte.

No último caso registrado na Arena da Baixada, em Curitiba, a diretoria atleticana se comprometeu a identificar e fornecer as imagens de torcedores que fizeram gestos racistas à Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe). O delegado encarregado das investigações, Luiz Carlos de Oliveira, lamentou que o caso não tenha sido comunicado de imediato para realizar a prisão em flagrante.

O São Paulo também registrou um boletim de ocorrência envolvendo preconceito. Segundo o Tricolor, o profissional que trabalha na agremiação foi insultado, logo após o pênalti defendido pelo goleiro Felipe Alves. Segundo o boletim, a vítima ainda foi chamada de “macaco de merda”. No Twitter, o clube divulgou uma nota de repúdio.

Essa não é a primeira vez que a Arena da Baixada surge como palco de manifestações preconceituosas. Pelo Campeonato Paranaense, Samuel Santos, do Londrina, acusou um torcedor athleticano de injúria racial. Na final da Copa do Brasil de 2021, uma torcedora do rubro-negro do Paraná também foi flagrada imitando um macaco dentro do estádio.

Absolvição

Na última quinta-feira (28), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais absolveu, em segunda instância, dois irmãos da acusação de racismo contra seguranças em uma partida entre o Galo e Cruzeiro pelo Brasileirão de 2019. No vídeo, um dos agressores fala: “você pôs a mão em mim, olha sua cor”, além de chamar de “macaco”.

Mesmo com as palavras de cunho racista, os desembargadores apontaram que os torcedores Adrierre Siqueira da Silva e Nathan Silveira da Silva, agiram em “crescente e justificável ira” já que o segurança teria impedido de irem para um ponto mais seguro.

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